Alívio para as crianças: ortopedia moderna descarta as botas ortopédicas

  • Médicos já sabem que as algumas alterações ortopédicas em crianças, como joelho valgo, pé plano e pé torto, postural estão dentro do limite da normalidade e costumam desaparecer com o tempo. 
  • Organização Mundial de Saúde escolheu esta década (2000-2010) para debater os temas relacionados à Ortopedia e promover a prevenção das deformidades. 

Você se lembra que, até pouco tempo, era comum ver crianças brincando com pesadas e desconfortáveis botas ortopédicas? Pois a ortopedia moderna tem uma ótima notícia para os pais e seus filhos pequenos que apresentam os chamados joelhos valgos (em formato de “X”), pé plano (chato) ou pé torto postural: essas crianças não precisam utilizar as indesejáveis botas ortopédicas, porque essas alterações costumam desaparecer, normalmente, até os sete anos de idade, é uma correção fisiológica.

O médico ortopedista, Professor Dr. Eduardo Álvaro Vieira, que dirige o Centro Avançado de Ortopedia de Sorocaba e é docente titular da Faculdade de Medicina de Sorocaba, explica que algumas deformidades em crianças, sejam elas congênitas (presentes no momento do nascimento) ou adquiridas, evoluem naturalmente para a cura, sendo necessários tratamentos apenas para os casos que fogem ao padrão evolutivo, isto é, que permanecem após os sete anos de idade. “Hoje, já se sabe que bebês com pés planos podem ter vida normal, após o desenvolvimento de toda a estrutura”, diz o especialista.

De acordo com o médico, muitas deformidades do sistema músculo-esquelético são ainda adquiridas por vícios de postura na primeira fase da infância (até os sete anos). O simples fato de deitar ou assistir à TV na postura incorreta pode levar a torções, que causam deformidades, mas que podem ser corrigidas com a orientação transmitida pelo ortopedista aos pais, familiares e professores. “Cabe ao ortopedista orientar e tratar, em cada fase do desenvolvimento da criança, das alterações que surgem, nunca esquecendo que a orientação dos pais e familiares é fundamental para um correto diagnóstico dos distúrbios”, diz.

Década da articulação do sistema músculo-esquelético– O Dr. Eduardo ressalta a importância da discussão sobre deformidades nos dias de hoje, sendo esta década (2000-2010) escolhida pela Organização Mundial de Saúde para debater esse tema e promover a prevenção. “O diagnóstico imediato das deformidades, se possível quando o bebê ainda está na barriga da mãe, é muito importante para que se possa intervir favoravelmente no desenvolvimento da criança”, ressalta. O médico cita, como exemplo de procedimento preventivo às deformidades, a ingestão de acido fólico pelas gestantes.

Ele também frisa a importância da vacinação como uma das armas mais poderosas no combate às deformidades em crianças. “Um dos maiores avanços nesse sentido foi a vacina contra a poliomielite que erradicou a doença no Brasil. Mas é preciso ficar sempre atento para que esse mal não volte a afligir o país”.

Entenda os termos:

Deformidades congênitas:presentes no momento do nascimento. Podem ser hereditárias – presentes nos genes formadores – ou embriopáticas – causadas por viroses, irradiações, medicamentos e posição intra-útero do bebê.

Deformidades adquiridas: todas aquelas que surgem após o nascimento. Podem ser adquiridas no momento do parto ou a partir daí, como falta de oxigenação cerebral, paralisia cerebral, fraturas, infecções, doenças metabólicas ou tumorais.