Lesões do joelho: saiba como se prevenir

Jogar uma “partidinha” de futebol com os amigos no fim de semana é hábito para muitos brasileiros. Apesar de o costume ser encarado como uma oportunidade de entretenimento e, até como atividade física, um alerta importante deve ser feito: se esse é o único exercício que você pratica, você está propenso a ser uma das milhares de vítimas de lesões do joelho no Brasil.
A mais comum é a lesão no menisco, cartilagem que permite a perfeita articulação dos ossos fêmur e tíbia, cujas junções formam o joelho. As lesões nessa parte de nosso corpo são comuns, não apenas nos “atletas de fim de semana”, mas também em idosos entre 60 e 70 anos e em esportistas em atividade, como foi o caso de Kaká, jogador da seleção brasileira.
Em Sorocaba, há dezenas de novos casos de lesões do joelho toda semana e o futebol está no topo da lista dos “culpados”. O erro no tratamento dessas lesões, muitas vezes, vem do próprio paciente, que não procura um especialista, convive com o incômodo da dor ou tem suas lesões diagnosticadas erroneamente como artrose, por exemplo. O diagnóstico de lesões do joelho é feito por meio de exames clínicos e de imagem, dentre eles a ressonância magnética. Os principais sintomas de lesão no joelho são: dor durante o movimento de rotação do corpo ou ao agachar e sensação de travamento no local.
Para cura das lesões de joelho, deve-se fazer um diagnóstico preciso, que envolve o exame clínico e por imagem como a radiografia e a ressonância magnética. Em muitos casos é preciso realizar uma cirurgia artroscópica, que consiste da visualização da articulação com uma câmera e da retirada ou sutura apenas da parte lesionada do menisco, mediante dois ou três pequenos “furinhos” no joelho. No método antigo, o joelho era aberto e grande parte do menisco era retirada.
Também são muito frequentes as lesões dos ligamentos cruzados, que ocorrem após um entorse mais violento do joelho e leva à instabilidade e insegurança, o que acaba por impedir o retorno ao esporte. Nesses casos, são indicadas as reconstruções ligamentares, que buscam substituir o ligamento rompido. Essas reconstruções também são feitas hoje com o auxílio do artroscópio.
Após a lesão no joelho, é obrigatório o tratamento para que a pessoa possa continuar praticando atividades físicas, e é por esse mesmo motivo que conhecemos inúmeros jogadores de futebol, basquete e atletas de outras modalidades, no Brasil e no mundo, que acabam precisando realizar a operação artroscópica, a fim de prosseguirem em suas carreiras. Apesar disso, nos atletas, o principal fator de lesão diferencia-se dos idosos: para quem pratica atividade física regular, a dor surge, geralmente, de uma torção, enquanto nos mais velhos ela acontece subitamente, sem causa específica.

As dicas para a prevenção das lesões do joelho são:
1. Regularidade de treinamento. Os “jogadores de fim de semana” possuem alto risco de lesionarem o menisco graças à prática da atividade física eventual.
2. Local apropriado para treinamento. Uma superfície esburacada é fator de risco de lesões em potencial.
3. Evitar quadra de grama sintética. Esse tipo de quadra pode fixar o pé do jogador no chão e fazer com que ele gire o corpo sobre o joelho, ocasionando a lesão.
4. Calçado apropriado para a prática da atividade física.
5. Aquecimento e alongamento. Ambos são fundamentais, tanto antes quanto depois dos exercícios.
Dr. Eduardo Luís Cruells Vieira é médico ortopedista do Centro Avançado de Ortopedia e Instituto do Joelho de Sorocaba e membro da Diretoria Científica da Sociedade Médica de Sorocaba.